Vinícola Kranz: dos carros em Xangai para os sucos e vinhos de Treze Tílias

 

O maquinário fabril adaptado sobre rodas transforma o processo de produção de uma hora para outra. A pequena vinícola Kranz, de Treze Tílias, no Meio-Oeste catarinense, ora produz vinhos, espumantes e sucos, ora geléias e schmiers. Dependendo da demanda de mercado e da estratégia de vendas da empresa, a inovação tecnológica entra em funcionamento.

A vinícola não é só vinícola, é também, ao mesmo tempo, fábrica de sucos e fábrica de geleias. Como um gigante processador de alimentos três em um, a troca na disposição das peças do maquinário importado da Itália e adaptado para o Brasil permite fazer com que a uva ou outra fruta qualquer passe por um processo distinto – pasteurização ou fermentação, por exemplo – gerando produtos diferentes, como vinho, suco ou geléia.

Por conta do criativo modelo industrial, a Kranz venceu o Prêmio Nacional de Inovação no ano passado, na categoria Agente Local de Inovação Indústria. “Uma vinícola trabalha praticamente dois meses por ano. Nós trabalhamos doze meses porque adaptei os equipamentos tanto para usar na vinificação como para sucos, e também para geleias. É uma gestão diferente”, diz o empresário empreendedor Walter Kranz, de 64 anos.

Os sucos são feitos com frutas frescas de alta qualidade, sem água e sem açúcar, sem conservantes e corantes. Tanto é que a cor não é intensa como frequentemente se vê nas gôndolas de supermercados. A fruta é prensada, pasteurizada e engarrafada. “É um suco 100% puro”, diz o fabricante. São produzidos seis sucos atualmente: maçã, maçã com limão, maçã com morango, maçã com uva, uva e pêra com limão.

A mais nova investida da Kranz Alimentos é a produção da exótica geleia de fruta da goiaba-serrana, que está sendo pesquisada pela estação experimental da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), de São Joaquim e Lages. A fruta é muito apreciada e consumida nas regiões onde é encontrada.

De acordo com a pesquisa, seu sabor é singular doce-acidulado e o aroma penetrante, além de apresentar atividade antibactericida, antioxidante e antialérgica. “Fizemos o primeiro lote em 2013 e foi um sucesso absoluto. Em um único dia vendemos todos os doces. As pessoas compraram tudo. Acredito que será uma fruta que vai se desenvolver muito aqui no Brasil ainda, porque ela é muito saborosa”, relembra.

A competência para criar e desenvolver parece uma coisa natural no dia a dia do brasileiro, catarinense e treze-tiliense Walter Kranz, que já foi um alto executivo da Mercedes-Benz. Da globalizada montadora de carros na populosa cidade de Hangzhou, com 4,5 milhões de habitantes na China, para a fabricação de sucos e vinhos premiados na pacata cidadezinha de Treze Tílias, com 6.341 habitantes, foram longos anos de reuniões em inglês, vôos de primeira classe, estudos, úlceras, entremeadas por lembranças da infância, e um firme planejamento de voltar à terra natal aos 50 anos de idade. “Errei por dois anos, voltei aos 52”, afirma.

Não foi à toa que Kranz chegou à cadeira de presidente da indústria automobilística Mercedes-Benz na China em 1996. “Eu gosto muito de inovar e sempre ir por caminhos diferentes. Na Mercedes, eu trabalhava na área de desenvolvimento e engenharia de produtos e usávamos uma metodologia, que era sempre questionar: ‘Como você pode fazer melhor? ‘ Nesta pergunta está a chave da evolução do mundo”.

Em 2001, o empresário desafiou a aparente calmaria da cidadezinha onde nasceu e enfrentou a pesada burocracia para obter financiamento investindo em um novo empreendimento. Criou a pequena fábrica e seu objetivo é transformá-la em uma empresa de delicatessen de alta confiabilidade e qualidade.

Outro exemplo de sua criatividade pode ser visto na adoção de um sistema de cooperação das donas de casas como mão de obra na produção e envase de sucos e geléias. A iniciativa inovadora tira de casa, à tarde, em média, de 15 a 40 mulheres, dos 50 aos 65 anos de idade, que não estariam no mercado de trabalho. “A dona de casa, a mulher que se dedica a casa, normalmente, é uma boa cozinheira. É essa mulher que dá certo para trabalhar com a minha geléia, porque ela traz aquele amor. Se você come a minha geleia, você vai ver, é uma coisa feita com amor, com capricho”.

Fonte: http://www.economiasc.com.br/index.php?cmd=industria&id=17782

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