Entrevista com Walter Kranz: EMPRESÁRIO DESAFIA APARENTE CALMARIA DE TREZE TÍLIAS E INOVA PROCESSO INDUSTRIAL

 

Nada como um suco geladinho, de maçã com limão, em um dia quente, com a temperatura em 33 graus centígrados. A escolha do suco foi feita pelo ex-presidente da Mercedes-Benz na China, Walter Kranz, em Treze Tílias, no Meio-Oeste de Santa Catarina, e servido pela mulher, a chinesa Ao Ruirong, sua ex-tradutora e atual sócia nos negócios. No grande espaço aberto, premiações estão expostas nas paredes, e grandes mesas de madeira clara com bancos nas laterais acomodam os visitantes.

Como se autointitula “o atelier dos vinhos finos de altitude no Brasil”, a Vinícola Kranz abre as portas ao público para degustação de seus vinhos premiados. O valor do ingresso para a visita com direito a experimentar a bebida custa R$ 10,00. Além dos vinhos e espumantes produzidos pela empresa, que são acompanhados de queijos e pães, também podem ser provados sucos e geléias. Foi durante uma visita dessas, antes da inauguração oficial do espaço, que o empresário concedeu esta entrevista ao portal EconomiaSC.

Como surgiu o seu negócio?

Começamos o nosso empreendimento com a KranzTransportes. Em seguida, criamos a vinícola, depois a fábrica de alimentos e a Kranz Inovações Tecnológicas Ltda. Cada uma com um determinado feeling. Mas o nosso projeto base é o vinho, espumante, suco e a delicatessen com todo o processamento de frutas, desde frutas cristalizadas e frutas secas até os chocolates.

A Kranz tem hoje um mix de quantos produtos?

Hoje, o nosso mix chega a aproximadamente 40 produtos, dos quais 15 são geleias. Nossa ideia é formar uma empresa dedelicatessen com produtos de alta qualidade e diferenciados, como de fato já são. Os produtos são orgânicos. Estamos aguardando apenas a certificação. Nem tudo é considerado orgânico, porque algumas frutas são importadas. Então, nosso crescimento é horizontal e nosso objetivo é a diversidade. Quero ser a empresa que irá bater o recorde, provavelmente mundial, em diversidade. Explico, se você quer uma geleia da França, você vai achar aqui, ou de frutas da Irlanda até a África. Eu quero fazer sucos e geléias de todas as frutas possíveis de fazer na área de delicatessen. Eu gosto muito dessa área.

Qual é a geleia mais exótica que o senhor produz?

A mais nova e exótica geleia de fruta que está sendo produzida pela Kranz Alimentos é a goiaba serrana. Essa fruta é pouco explorada no Brasil, mas muitos estrangeiros já levaram as mudas daqui e estão vendendo mundo afora com outro nome (a denominação utilizada na literatura internacional é feijoa) com sucesso absoluto. A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), de São Joaquim e Lages, está desenvolvendo.

Nós somos a única empresa que está trabalhando junto com a Epagri no desenvolvimento da goiaba serrana para fins industriais de suco. Aqui nós temos uma definição muito clara que “a fruta que a Kranz usa para industrializar é a mesma fruta que você escolheria para comer”.

A vinícola está presente em quais mercados?

A Kranz já está em grandes supermercados e delicatessens dos estados de Goiás ao Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina está na rede Angeloni, e em São Paulo, no Supermercado St. Marche e Santa Luzia. Estamos em mais de quatro mil pontos de venda nesse um ano e meio de mercado.

O que fazem as outras quatro empresas?

Na realidade, das quatro empresas, as mais ativas são a vinícola e a gourmet. A de tecnologia é a detentora de todo oknow-how que a gente desenvolveu. Eu venho da área técnica da Mercedes-Benz, onde trabalhei por muitos anos. A Kranz Tecnologia é a detentora das patentes de todo o know-how. A Kranz Tecnologia representa equipamentos de alta tecnologia para vinhos e sucos.

O senhor tem várias premiações dos vinhos. Como é este processo e onde ficam as plantações?

As nossas uvas e os nossos vinhos são de altitude de Santa Catarina. As uvas vêm da serra catarinense, das cidades de São Joaquim, Campos Novos e Caçador. Nós industrializamos e temos parceria com os parreirais. Não compro uva. Eu troco serviço por matéria-prima. E todo o processo, assim como o envelhecimento, é feito na adega da própria vinícola. Hoje, assim dizem os entendidos, a nossa vinícola é uma das mais modernas do Brasil.

Qual é o melhor vinho que o senhor produz hoje?

Veja bem, não existe o melhor vinho, como também o meu vinho não é melhor do que dos outros. Vinho tem uma definição complexa. Vinho é um momento, é um local, uma companhia. O vinho sempre está ligado a um ambiente, a uma história, a um momento. Hoje, o nosso vinho mais premiado é… (a filha de 9 anos, Kathrin o interrompe para oferecer outro suco, um de morango, e o pai ensina como fazê-lo: “Traz o suco aqui, não leva o copo. Ela já está aprendendo e ganha uma mesada para iniciar no trabalho”). Hoje, o vinho mais premiado é um Cabernet Sauvignon 2009, o único de Santa Catarina que ganhou no sexto concurso internacional, homologado pela OIT. Eu tenho hoje nove prêmios internacionais, de 2010 para cá.

Qual é característica do vinho Kranz que encanta aos enólogos?

É por ser um vinho diferente. Quando eles experimentam, o vinho tem que ser agradável na boca. Não pode ser um vinho que te amarre, tem que ser um vinho floral, que te agrade. O enólogo, o especialista formador de opinião, procura isto e ao mesmo tempo, diferente. No momento que ele acha algo diferente, como o Cabernet de altitude, de Santa Catarina, que é fantástico, ele se encanta. Se os nossos vinhos fossem iguais aos franceses, o enólogo não viajaria pelo mundo para procurar novos sabores e não iria importar vinho de outros países.

Quais são os seus projetos para o futuro?

Com certeza, vou escrever. Eu gosto muito de escrever. Vou colocar essa experiência empresarial no papel. Tenho umas histórias muito interessantes para contar. Gente séria aqui sofre. Você pode ter certeza em nenhum lugar do mundo gente séria sofre mais do que aqui. Isso, eu quero colocar – e eu tenho um pouco de experiência internacional – para passar como é a dificuldade para conseguir um financiamento, seja lá onde for e as barreiras que te impedem. Essas são as dificuldades do empresário brasileiro. Nós não somos do jeitinho. Existe uma lei, existe uma norma e nós vamos cumprir.

Fonte: http://www.economiasc.com.br/index.php?cmd=entrevistas&id=738

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