Excelente carta de vinhos catarinenses… mas o preço

Este final de semana fui a um restaurante muito bom em Florianópolis, com uma excelente carta de vinhos, muitos deles próprios do estado de Santa Catarina. Mas o que assusta mesmo, são os preços…

Se você for no Chile, na Argentina, na França (ou qualquer outro país), o preço que é pago pelo vinho local é muito mais em conta que os demais, principalmente os importados (por razões óbvias). Infelizmente, no Brasil, nem sempre as coisas são óbvias…

Eu optei por uma 1/2 garrafa de Villaggio Bassetti Montepioli, a R$ 55.

Tinto 1 Tinto 2

Tinto 3

Rosé

Espumante

Branco

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3 thoughts on “Excelente carta de vinhos catarinenses… mas o preço

  1. Vender um Joaquim a 96 reais é ridículo. Apesar de razoável, quem é daqui e sabe que o vinho não vale isso tudo, vai optar por outro; quem é de fora, turista, vai se sentir enganado. No fim, o restaurante, mesmo com todos os seus custos e margens de lucro apertadas, não agrada ninguém. O negócio dele é comida e quer ganhar o dia assaltando a clientela numa garrafa de vinho.

  2. Interessante como no Brasil o vinho Brasileiro é caro, mas o importado, não! Vamos aos fatos: O brasileiro tem o hábito de sentar a mesa de grandes restaurantes e fazer comparações entre vinhos feitos no país com importados, mas esquecem que o mercado exige que os insumos sejam os melhores, como mudas importadas, carvalho importado e, no caso de Santa Catarina, o estado que talvez tenha a maior concentração de enólogos “importados” visto o caso do famoso Antônio Saramago, que presta consultoria para a Villaggio Grando no Oeste Catarinense. A pergunta que não quer calar é: Como o vinho brasileiro pode ser tão caro, se levarmos em conta que exigências do mercado são sempre atendidas pelos donos de vinícolas, com objetivo de responder as demandas do mercado que talvez mais cresça, mas que carece de uma cultura mais aprofundada sobre vinho e mercado? Depois de todo o esforço para entender as exigências do mesmo mercado, aí, se fala e propaga um monte de besteiras, tipo, o terroir é ácido demais, úmido demais… No caso de Santa Catarina, o terroir é de altitude, mineral ao extremo e com grande amplitude térmica – tudo o q se tem lá fora, mas falta no resto do Brasil. Estive em Santa Catarina recentemente por força do meu trabalho, e fiquei impressionado como o próprio catarinense desconhece os excelentes vinhos que produz. Um verdadeiro paraíso de boutiques e altitudes que deveriam orgulhar qualquer brasileiro. Ou alguém acha que enólogos conceituados como o citado acima, arriscariam sua reputação construída na Europa para vir trabalhar no Terroir Catarinense? Quanto a questão de que os vinhos importados tem “excelente” custo benefício, isso é outra falácia! Vamos aos fatos: Os importadores tem como principal faixa de preço para lucrar, no caso dos europeus, de vinhos de até alguns poucos Euros, que ao cliente final de restaurante, por exemplo, é oferecida por algumas centenas de Reais. Mas o brasileiro reclama, não! Compara e diz de boca cheia que tem excelente custo benefício. Caso de um excelente Beaujolais Noveau de George Duboueuf que tive a oportunidade degustar na minha terrra natal, Rio de Janeiro, a convite de um parceiro comercial em churrascaria de Copacabana. Preço da brincadeira: R$ 138,00 a grf.. Em delicatessens você encontra por cerca de R$ 80,00 a R$ 100,00, quando na Europa deve custar algo ao cliente final (se procurar acha mais barato) no máximo 4 Euros. Sendo que nos EUA deve encontrar em torno de 7 U$$. Agora, diga qual custo benefício de abrir uma garrafa que custa 4 Euros e vira mais de R$ 100,00? Haaaaaa, mas isto são os impostos! Então, vamos explicar de novo! A tributação é de 27% para vinhos importados, sendo que se entrar pelo Espírito Santo, por exemplo, o importador com operação neste estado, ainda consegue restituição de ICMS. Lembre-se também que quando apresento o caso do Beaujolais, o preço informado é para cliente final na gôndola ou prateleira na Europa, não para importadores que devem trazer o vinho por pelo menos a metade deste valor. E aí, existe tanto custo benefício no vinho importado? Acho que existem interesses diversos entre produtores e importadores, que tratam de preservar o mercado que já conquistaram, aumentando ainda mais a fatia de clientes ávido por novidades. A César o que é de César!

    Para encerrar, vou contar um caso recente acontecido na ABS RIO. Durante degustação ás cegas com painel formado por associados e profissionais experimentados, numa noite qualquer de 2013, profissionais degustaram um vinho chileno, um brasileiro e um português, ao final, a surpresa que ninguém esperava:

    Primeiro lugar: 92 Pts – Tanagra Syrah 2008 – Chile – R$ 197,00.
    Segundo Lugar: 91 Pts – Sarau Tinto Santa Augusta 2010 – Santa Catarina – Brasil – R$ 25,00 preço ABS (Bota o Toro Loco no bolso!).
    Terceiro Lugar: 90 Pts – Quinta do Pacheca 2007 – Touriga Nacional – Douro – Portugal – U$$ 149,00.

    E aí, o vinho brasileiro é tão ruim e caro?

    • Olá Rômulo! Obrigado pelo post, muito bem colocado!

      Concordo contigo que a discussão sobre o preço do vinho nacional vai muito, mas muito além, de simplesmente impostos e custos altos de produção. Devemos lembrar, acima de tudo, que o mercado consumidor de vinhos no Brasil é pequeno, pouco maduro; a penetração do consumo de vinho per capita é baixa. Somado a isso, o mercado nacional de produção de vinhos finos é bastante recente, pequeno e ainda pouco desenvolvido. Não estou dizendo que não existam bons produtores, pelo contrário… mas sim que o Mercado (fornecedores, produtores, consumidor, legislação, marketing etc.) ainda tem um longo caminho para crescer e se consolidar. Até lá, muitas ineficiências vão continuar existindo, que no fim do dia se refletem no preço final ao consumidor.

      Um dos exemplos desta ineficiência é o Beaujolais que você citou: custo-benefício baixíssimo, impensável em outros países do mundo. É como se os importadores estivessem “se aproveitando” da falta de eficiência do mercado para maximizar seus retornos. O produtor nacional, que tem pouca força por enquanto para alterar este cenário, se vê forçado a se adaptar, precificando seus produtos também com ineficiência. Como você mesmo sugeriu, a culpa não é somente dos impostos…

      Com o tempo, à medida que o mercado se consolide e o consumidor aumente seu grau de conscientização, os preços tenderão a ser mais justos: bonificando os produtos de maior valor agregado, e penalizando os produtos de menor custo-benefício.

      Dentro deste contexto, sua colocação é assertiva: o próprio catarinense não conhece a beleza vitivinícola de seu Estado. Pessoalmente, acredito que seja uma questão de tempo… mas felizmente tenho visto por aqui diversos exemplos de avanço, com empresários catarinenses “mostrando a cara” e fazendo seus produtos conhecidos pelo consumidor.

      Por último, comprar Sarau Santa Augusta 2010 por R$ 25, no Rio de Janeiro, é com certeza um excelente negócio. Mas se você for visitar a cidade do vinho em Santa Catarina (São Joaquim), e quiser tomar um Sarau em um bom restaurante… garanto pra você que não sairá por menos de R$ 65 a garrafa.

      Mais uma vez, ineficiências de um mercado pouco maduro.

      Abraço e obrigado por sua participação!

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