Degustação: Bella Vinha Cabernet Sauvignon 2009

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O Estado de Santa Catarina é, sem dúvida, uma região de destaque no cenário nacional da vitivinicultura. Seus vinhos finos de primeira classe têm alcançado resultados cada ano mais altos em termos de qualidade e reconhecimento.

Porém, como é de se esperar, nem todos os vinhos são de alta gama. Muitas vinícolas ainda possuem um belo caminho de desenvolvimento (e investimentos) para proporcionarem exemplares que realmente se destaquem.  Sendo assim, quando falamos de vinhos catarinenses, devemos sim exaltar os sucessos… mas também temos a obrigação de identificar pontos de melhoria.

Foi por isso que decidi ariscar. Comprei, em um posto de gasolina mesmo, um exemplar da Vinícola da Serra, localizada em Pinheiro Preto: o Bella Vinha Cabernet Sauvignon 2009. Se não me engano, paguei entre 20 e 30 reais a garrafa. É de se imaginar que a expectativa em torno do vinho não era das mais altas… o rótulo, como pode-se ver na foto, é bastante simples, quase desestimulante.

Ao abrir o vinho, a rolha chamou minha atenção por estar bastante ressecada. Não sou expert em cortiça. Não sei se, neste caso, representaria um problema. Mas o fato é que a secura e rigidez da rolha realmente chamou minha atenção. Na taça, é de um rubi semi-opaco, com tons atijolados de envelhecimento. As lágrimas são rápidas, sugerindo um vinho pouco encorpado.

No nariz, a primeira impressão não foi boa. “Cheiro de vinho brasileiro” foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça (lembro de ter escutado esta expressão em algum lugar, fazendo referência aos vinhos comerciais de garrafão). Decidi aguardar. Depois de alguns minutos na taça, o aroma melhorou bastante. Apareceram notas de baunilha e madeira. Um aroma simples, plano. Fique empolgado com a possibilidade do vinho me surpreender.

Mas na boca, veio o choque de realidade… nada se destaca a não ser o amargor de um líquido leve e alcoólico. Uma pena. O vinho é amargo a ponto da minha esposa recusar o segundo gole. No entanto, o produto não parece estragado… mas sim de um processo de vinificação de baixa qualidade (posso estar enganado, obviamente, pois não sou enólogo).

O bacana desta experiência é que decidi ir mais a fundo, e pesquisar as razões de tal amargor. Dentre as razões possíveis, a mais citada é uma doença do vinho chamada justamente de “Amargor”. Ela é causada pelo ataque de uma ou mais bactérias lácticas ao glicerol presente na bebida, e é mais frequente em vinhos tintos velhos, pouco ácidos, pouco alcoólicos e com algum teor em taninos. Com o ataque, o glicerol é transformado principalmente em ácido acético, ácido láctico, dióxido de carbono e água.

Uma vez no vinho, o amargor é praticamente impossível de ser corrigido. A melhor maneira de controlar o surgimento do “amargor” é por ações preventivas: a utilização adequada do dióxido de enxofre (SO2) ou a adoção das práticas enológicas adequadas para a vinificação e conservação do vinho.

O Bella Vinha é fabricado pela Vinícola da Serra, em Pinheiro Preto/SC (http://www.vinicoladaserra.com.br/).

Bem, é isso aí! Abraço!

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